Trecho do livro "Comunicação não-violenta", de Marshall B. Rosenberg

Alerta para post não-técnico. 🙂

[...]

"Desde aquele verão de 1943, venho examinando aquelas duas questões que mencionei. O que nos permite, por exemplo, permanecer sintonizados com nossa natureza compassiva até nas piores circunstâncias?

Penso em pessoas como Etty HIlesum, que continuou compassiva mesmo quando sujeita às grotescas condições de um campo de concentração alemão. Na época, ela escreveu:

Não é fácil me amedrontar. Não porque eu seja corajosa, mas por que sei que estou lidando com seres humanos e que preciso tentar ao máximo compreender tudo que qualquer pessoa possa fazer. E foi isso o que realmente importou hoje de manhã - não que um jovem oficial da Gestapo, contrariado, tenha gritado comigo, mas, sim, que eu não tenha me sentido indignada, antes tenha sentido verdadeira compaixão e desejado perguntar: "O senhor teve uma infância muito infeliz? Brigou com a namorada?". É, ele parecia atormentado eobcecado, mal-humorado efraco. Eu gostaria de ter começado a tratá-lo ali mesmo, pois sei que jovens dignos de pena como ele se tornam perigosos tão logo fiquem soltos no mundo. (ETTY HILLESUM, A diary)"

Retirei esse trecho do livro "Comunicação não-violenta", de Marshall B. Rosenberg, pois ele me marcou muito.

Não quero dizer que sou, ou que devemos ser pessoas como a Etty Hillesum, e muito menos que devemos ter reações parecidas com a quela deixou registrada, até porquê estar em um campo de concentração é algo muito extremo. Porém, gostaria de trazer a reflexão para aquelas vezes em que não conseguimos reagir "à altura" a certos estímulos ou situações ruins.

Não só esta, mas algumas outras partes do livro, estão me fazendo entender que muitas vezes, a forma que [não] reagimos a determinadas situações, está ligada a nossa essência e as nossas crenças internas.

Nem todo mundo tem o intuito natural de revidar ofensas, deslealdade, intrigas, desonestidade ou agreções. Se você não é uma pessoa que, nessas situações, revida, se vinga ou dá o troco, isso não necessariamente é algo ruim ou demonstra fraqueza.